Cracolândia: vídeo mostra fluxo em avenida onde 16 foram atropelados

São Paulo — Imagens feitas por moradores mostram que o fluxo de usuários de drogas tem ocupado durante a noite parte da Avenida Rio Branco, na Cracolândia, na região central de São Paulo. Na última quinta-feira (26/10), até mesmo uma tenda estava montada pelos dependentes químicos na calçada, a cerca de 50 metros da Rua dos Gusmões. Aglomeração passa de 1.100 pessoas no período noturno, número que não entra na contagem oficial.

Imagens gravadas por volta das 22h mostram a chegada de policiais e o apoio de guardas-civis metropolitanos durante uma operação no local. A tenda é rapidamente desmontada, enquanto uma multidão caminha em direção à Gusmões.

Na sexta-feira (27/10), a Secretaria da Segurança Pública divulgou a operação realizada no local na quinta e afirmou que 1.109 pessoas foram abordadas.

Instalação de grades

Horas mais tarde, na noite de sexta-feira, a Subprefeitura da Sé instalou grades móveis na esquina da Rua dos Gusmões com a Avenida Rio Branco. A medida, segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), tem por objetivo “proteger as pessoas em situação de vulnerabilidade e de uso problemático de drogas, além dos motoristas que transitam pela região”.

O isolamento não intimidou os usuários de drogas, que em vídeos feitos por moradores durante a madrugada de sábado (28/10) apareceram ocupando o cruzamento (veja abaixo), o mesmo onde houve um atropelamento em série há uma semana.

De acordo com a subprefeitura, a medida será repetida todas as noites, a pedido da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Os pedestres estão sendo orientados a utilizarem as calçadas.

Já a SSP informou que as grades visam “evitar acidentes e proteger os frequentadores do fluxo”. A ação conta com o apoio da Polícia Militar.

Sistema Dronepol

Segundo moradores, a aglomeração de usuários de crack tem crescido no local, principalmente à noite. O aumento da quantidade de dependentes químicos no período noturno não é detectado pelo sistema Dronepol, da Prefeitura de São Paulo, que atua fora do horário de maior concentração de pessoas.

Como as contagens são realizadas apenas das 10h às 11h e das 15h às 16h, a estimativa subestima o total de frequentadores da Cracolândia.

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Em outubro, por exemplo, durante o período da tarde, são 612 usuários em média —quase a metade do que o número de abordados pela PM na noite da última quinta.

Em agosto, o Metrópoles já mostrou que a contagem oficial da prefeitura ignora, além do principal horário de aglomeração, pequenas ilhas de consumo (grupos com menos de 30 pessoas, por exemplo).

Atropelamento de 16 pessoas

O avanço dos usuários pela Rio Branco tem gerado situações de risco para todos que circulam pela região. No último domingo (22/10), 16 pessoas que frequentam o fluxo foram atropeladas na avenida por volta das 20h50.


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Em relato à polícia, o motorista que atropelou os usuários disse que estava com a família, quando o vidro do carro foi quebrado por usuários de drogas. Ele contou ainda que tentou fugir e atropelou várias pessoas. O motorista disse, também, que as pessoas tentaram agredi-lo, mas a PM interveio.

O que dizem as autoridades

A SSP afirma que tem realizado uma série de ações na região das “cenas abertas de uso”, área do 3ºDP (Campos Elíseos) e do 77ºDP (Santa Cecília). “Setembro foi o sexto mês consecutivo que essa região registrou queda dos roubos e furtos, uma redução de 11,9% em comparação com o mesmo período de 2022, sendo 800 vítimas a menos de roubos no mesmo período”, diz, em nota.

Segundo a SSP, o policiamento ostensivo na região central recebeu 120 PMs com a Operação Impacto-Centro, que também cobre a área da Cracolândia. Pela Polícia Civil, é realizada a “Operação Resgate”, que em uma nova etapa realizada na noite de quinta-feira capturou seis procurados da Justiça e oficializou ao Poder Judiciário o descumprimento de medidas cautelares de 67 pessoas.

A Prefeitura de São Paulo diz que monitora a movimentação do fluxo. Afirma também que, em setembro, foram realizadas, em média, 447 abordagens por dia e 66 encaminhamentos para acolhimento e diferentes tipos de tratamento. “Uma em cada seis abordagens resultou em encaminhamento”, diz, em nota.

A administração municipal diz também que atua na região por meio da Secretaria da Segurança Urbana e da GCM, e que também tem articulação com a SSP.


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