Brasileiros repatriados sonham em retomar a vida em Israel após guerra

Imagine planejar um passeio no parque de diversões e acordar com o soar de sirenes antimísseis. Ou escolher o sábado para ir às compras ou relaxar em casa e ter que ficar escondido por horas em um bunker? Esse foi o cenário vivido por diversos moradores de Israel quando os ataques do grupo Hamas começaram, na manhã de 7 de outubro. Porém, mesmo que tenham vivenciado tamanho pesadelo, alguns brasileiros repatriados na Operação Voltando em Paz, comandada pelo governo federal, afirmaram ao Metrópoles que ainda sonham em retornar a Israel.

Procuradas pelo portal, duas famílias brasileiras narraram o antes, o durante e o depois de “escapar” dos bombardeios do grupo palestino contra os israelenses, e a consequente retaliação. A guerra entre Hamas e Israel é um dos conflitos humanitários mais mortais da região, que já provocou o óbito de mais de 8,7 mil palestinos e israelenses, número que pode aumentar após a publicação desta matéria.

Ao todo, retornaram ao Brasil, até o momento, 1.413 brasileiros e 53 animais de estimação, de acordo com informações da Força Aérea Brasileira (FAB). Entre os passageiros, está a família da jornalista Carolina Rizzo, que vivia há três anos em Israel com o marido, dois filhos e três gatos.

Israel: lugar “gostoso de morar”

Recém-mudados de Jerusalém a Tel Aviv, onde estavam há um mês e meio, Carolina, o marido e os filhos pequenos não conseguiram aproveitar o novo lar e foram forçados a “escapar”, deixando tudo que haviam conquistado para trás.

“Tranquila” e “segura”, assim a jornalista define a vida em Israel antes do início dos conflitos. “Era uma vida tranquila. Muitos parquinhos, [um país] muito adequado para crianças, com sensação de segurança o tempo todo. Um lugar onde o transporte público funciona. Era muito gostoso morar lá”, relata.

Carolina conta que, um dia antes das ofensivas do Hamas contra o território israelense, a família organizou uma ida ao parque de diversões com um grupo de amigos. Eles viram, de repente, os planos irem por água abaixo quando o filho mais velho do casal acordou com o som das sirenes antimísseis e foi alertar os pais sobre o cenário “assustador” nas ruas. Foi nesse momento que os brasileiros perceberam que algo sério estava acontecendo.


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A partir dos primeiros anúncios, a família de Carolina alternou entre ficar dentro do bunker e fora dele, mas sempre abrigada em casa. A única saída ocorreu para comprar suprimentos, alimentos e ração para os gatos: “Medo de cruzar com terroristas na rua”.

Eles ficaram “presos” no apartamento até conseguir retornar ao Brasil, nos últimos dias. “A sensação de insegurança foi enorme”, desabafa a jornalista.

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Já em solo brasileiro, toda a família está hospedada, inclusive os três gatos, na casa da sogra de Carolina, em Brasília, Distrito Federal. Segundo ela, estão “recebendo apoio e carinho”, principalmente as crianças: “Meus filhos estavam precisando desse calor humano, depois de tudo o que a gente passou”.

“Deixamos tudo”

Sem hesitar, a família de Carolina Rizzo abandonou a vida em Tel Aviv para se proteger do conflito humanitário que continua a ceifar as vidas de civis e a aterrorizar moradores tanto da Faixa de Gaza quanto de Israel. “Deixamos tudo como estava para meio que fugir mesmo”, diz ela.

Os Rizzo continuam pagando todas as contas, desde o aluguel até a creche. Mas, por enquanto, o plano é continuar no Brasil até as “coisas se acalmarem” por causa das crianças.

“Está tudo muito na indefinição. Pode ser que a gente fique meses, pode ser que fique só um mês, a gente não sabe. É difícil fazer planos a longo prazo aqui. A gente tá vivendo como se pudesse voltar a qualquer momento”, afirma a jornalista.

A vida de uma mãe solo em Israel

Com uma vida inteira construída em Israel, a analista de dados e mãe solo de dois meninos Taliah Waksman, de 35 anos, ainda sonha em voltar o “quanto antes” à vida naquele país do Oriente Médio, onde morava há quase sete anos.

“A vida [em Israel] sempre foi muito boa, com muita segurança”, descreve a analista. Contudo, depois dos ataques do Hamas, o cenário mudou e ficou “bem tenso”.


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Taliah e os dois filhos precisaram se proteger dos bombardeios em um quarto de segurança no subsolo do prédio onde moravam, em Jerusalém. O 7 de outubro foi marcado por longas subidas e descidas de cinco andares de escadas para se protegerem dos ataques do Hamas contra os israelenses.

“Estava bem pesado, psicologicamente e emocionalmente, [ficar] sozinha com duas crianças, correr com sirene e trabalhar de casa”, desabafa Waksman.

Assim como a família de Carolina Rizzo, Taliah continua a pagar as contas de Israel, mesmo no Brasil. No momento, a intenção de Taliah Waksman é voltar para casa para “retomar a vida” em terras israelenses o mais rápido possível.


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